Duas fotos, em cima o ex-ministro Marcelo Castro durante uma solenidade e sob protesto, uma jovem entrega uma caveira. Na foto abaixo o secretário do MS que assume a pasta, ele estava participando de uma reunião do Conselho Nacional de Saúde.

SAI CASTRO E ENTRA AGENOR NA SAÚDE

 

Isolado no PMDB e sem confiança do controle social, o ministro da Saúde, Marcelo Castro deixa o governo Dilma. Ele entregou sua carta de demissão hoje 27.

“Entrego hoje minha carta de demissão à presidente Dilma. Informei ontem ao Jaques Wagner”, disse Marcelo Castro, que não deverá ter espaço com o vice-presidente Michel Temer.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, José Agenor Alvares deve assumir a pasta, e  Castro reassume a cadeira de deputado federal pelo Piauí.

Indicado pela bancada do PMDB da Câmara, o ministro tomou posse em outubro do ano passado. Sua passagem pelo ministério foi marcada por declarações polêmicas e que acabaram por ampliar o desgaste do governo no combate a doenças da dengue e do zika. Em visita à Sala de Situação do Distrito Federal para Controle da Dengue, em Brasília, realizada em janeiro, o ministro disse que o País estava perdendo “feio” a guerra contra o Aedes aegypti.

 

Castro foi vaiado durante a 15ª Conferência Nacional de Saúde, que aconteceu em dezembro de 2015, e era alvo constante de manifestações de organizações populares da saúde.

 

Plenária da 15ª Conferência Nacional de Saúde, manifestantes com gritos e bandeiras em defesa do SUS.

CNS LUTA PARA GARANTIR  SAÚDE PÚBLICA DE QUALIDADE

 

Situação do SUS é crítica e Congresso pode desmontar o sistema 

 Aprovada em primeiro turno no Senado Federal, a PEC 143/2015 permite aos Estados, Distrito Federal e Municípios aplicar em outras despesas parte dos recursos hoje vinculados a áreas específicas, como saúde e educação. O Conselho Nacional de Saúde (CNS) manifesta-se contra esta PEC por acreditar que não será a solução para a crise fiscal.

Para Ronald Santos, presidente do CNS, a PEC é um desmonte do Estado com a saúde pública brasileira. Segundo ele, a situação é crítica, visto que o SUS já é subfinanciado e seu colapso pode afetar as condições e a qualidade da atenção à saúde de milhões de brasileiros. “Na prática, o direito social à saúde está ameaçado. Temos a esperança que com a aprovação da PEC01/2015 em segundo turno, os recursos para a saúde possam melhorar ao longo dos anos. As políticas mais comprometidas serão, sem sombras de dúvidas, a saúde e a educação”, diz.

De acordo com o consultor da Comissão de Orçamento e Financiamento do CNS, Francisco Funcia, a PEC surge para tentar reduzir as vinculações de educação e saúde dos Estados e Municípios, utilizando esses recursos para outras despesas. “A aprovação do projeto é uma afronta à Constituição Brasileira que originalmente estabelece a garantia dos direitos sociais, por meio dos recursos vinculados”, critica.

O agravo maior apontado por Funcia é a ampliação do subfinanciamento da saúde. “A PEC 143 foi a chave encontrada para a queda de arrecadação dos Estados e Municípios e será a resposta para a redução dos recursos para a saúde e educação como meio de enfrentar a crise fiscal, por tanto não é uma solução”, afirma.

Entenda a PEC 143/2015

Apresentada pelo Senador Romero Jucá (PMDB/ RR), a PEC 143 altera os artigos 76, 101 e 102 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que tratam da desvinculação das receitas de 25% da arrecadação da União de impostos, contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico (Cide-combustíveis), já instituídos ou que vierem a ser criados nos próximos quatro anos.

O substitutivo de Jucá foi aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) no último dia 6. Na terça-feira (12), como forma de acelerar a votação da matéria, os senadores aprovaram, em Plenário, requerimento de calendário especial que permite a flexibilização de prazos para a votação da proposta. Quando aprovada, a PEC será encaminhada à Câmara.

Fonte: CNS
Publicado em 25/04/2016

www.conselho.saude.gov.br

 

 

FRENTE DE LUTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA E O SUS PEDE “FORA CUNHA”

 

A Frente de Luta em defesa da democracia e do Sistema Único de Saúde-SUS – organiza um pedido nas redes sociais para que o STF – Supremo Tribunal Federal – afaste o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha-PMDB/RJ.  O pedido sugerido pela Frente, tem um texto para que as pessoas defensoras do SUS e da Democracia, encaminhe um documento ao presidente do STF, através do site do órgão. O texto questiona o processo contra o Eduardo Cunha que está sem andamento, e aponta as denúncias de crime de lavagem de dinheiro do presidente da Câmara.

A Frente de Luta pela Democracia e SUS, é composta por pesquisadores (as) professores (as), cientistas, profissionais da saúde, usuários do SUS e trabalhadores do sistema único de saúde. O documento sugerido pela frente segue abaixo e também as instruções de como encaminhar a manifestação ao STF.

 

Entrar no site do STF – http://www.stf.jus.br/portal/centralDoCidadao/enviarDadoPessoal.asp

Em três passos vc faz o cadastro e envia a mensagem sugerido pela frente. A Frente também sugere que envie o texto direto para o Ministro Teori Zavascki do STF –  gabteori@stf.jus.br

Segue texto:

“Quero reclamar sobre o atraso para iniciar o julgamento do afastamento do Deputado Eduardo Cunha da presidência de Câmara dos Deputados, como solicitado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em 16 de dezembro de 2015.

 

Qual a justificativa para o processo estar parado no STF desde o dia 3 de março de 2016? Nesta data, por decisão unânime, este Tribunal julgou haver indícios robustos para tornar Eduardo Cunha réu no processo. Cunha é acusado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Ele é suspeito de receber ao menos cinco milhões de dólares de propinas relativos a um contrato para a construção de navios sondas entre a Petrobras e a Mitsui.

 

Ao acatar a denúncia, os Ministros desta corte declararam que falta ao referido deputado o decoro parlamentar e a decência, o que desmerece a Casa Legislativa e seus representantes. Portanto, como cidadã(o) brasileira(o), venho solicitar que esta Corte Suprema coloque em pauta o processo de análise do afastamento imediato de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. “

 

Atenciosamente

ASSINATURA

Um mosaico de fotos com militantes do sistema único de saúde, na foto editada tem negros, indígenas, mulheres, homens, jovens...

ARTIGO: Democracia e Direito à Saúde, duas bandeiras que unem o Brasil  

Ronald Ferreira dos Santos *

        No domingo 17 de abril,  a sociedade brasileira assistiu ao vivo e em cores o espetáculo em que se converteu a sessão para votar a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Pôde ver o nível dos deputados e deputadas que compõem o parlamento, como se posicionam e o que pensam. Para quem só se defronta com a atuação parlamentar em momentos como este, a sensação deve ter sido de espanto. Mas são estas pessoas que aprovam as leis que governam o país.

A CARA DO POVO BRASILEIRO

A CARA DO POVO BRASILEIRO

        Foi curioso ver como muitos dos votos favoráveis à cassação da presidenta foram dados em respeito aos médicos do país, numa referência indireta a uma das políticas públicas adotadas pelo atual governo para levar atendimento à saúde para milhões de brasileiros que não tinham acesso: o Mais Médicos. Imagino que todos devem se lembrar da reação violenta que parte desta categoria teve quando o governo preencheu as vagas do programa com profissionais de outros países.

        A lembrança vale para contextualizar questões que não estão tendo o devido espaço no debate público – em particular pelos grandes meios de comunicação – sobre como se posicionam e o que propõem para as políticas públicas de saúde as lideranças que estão à frente da mobilização pelo impeachment da Presidenta.

        Nos governos do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff, um elenco enorme de iniciativas inovadoras no campo da saúde e na implementação de políticas estruturantes e intersetoriais foram fundamentais para garantir um ambiente de ampliação de direitos e efetivação do que a Constituição Federal de 1988 preconizou para a Saúde. Entre elas vamos destacar aqui a criação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, dos Centros de Atendimentos PsicoSociais – CAPS, do Mais Médicos, do programa Aqui Tem Farmácia Popular e tantos outros que fortaleceram o Sistema Único de Saúde.

        Mas destaco, aqui, a Política Nacional de Assistência Farmacêutica, criada em 2004, que consolidou nacionalmente o entendimento no Executivo, Legislativo e Judiciário de que medicamento é um insumo garantidor do direito à saúde. Tal entendimento contribuiu para uma importante conquista, que foi a aprovação da Lei 13.021/2014 que transformou, do ponto de vista legal, a Farmácia em Estabelecimento de Saúde, uma luta que há muitos anos vinha sendo desenvolvida por vários setores sociais, em particular pela categoria farmacêutica.

        Importante reconhecer as conquistas obtidas, mas também registrar que pouco ou nada se avançou para que se ampliassem os recursos a Saúde, o que compromete em boa medida as políticas neste campo, como temos alertado de forma contundente em todos os espaços e que teve como emblema o Movimento Saúde + 10. A luta por mais recursos para o SUS e por uma política de financiamento estruturante para a saúde tem sido uma ação prioritária dos segmentos que atuam em defesa do SUS.

        Por isso, é fundamental alertar para o que propõe o projeto apresentado ao país pelo vice-presidente Michel Temer, que pode se tornar em pouco tempo o presidente do país. No programa Ponte para o Futuro, Temer propõe a desvinculação das receitas para a Saúde e Educação, que é um ataque despudorado ao financiamento do SUS. Essa proposta não foge ao contexto geral do que se coloca na Ponte para o Futuro: a retomada da pauta neoliberal, que prega o Estado mínimo, a desregulamentação da economia, a privatização de empresas públicas e a terceirização para o setor privado dos serviços públicos. A aposta é no mercado como polo dinâmico de toda a economia. Neste contexto, Saúde, Educação, Moradia não serão mais direitos cuja garantia deva ser dada pelo Estado.

        Outro ataque aos direitos conquistados, em particular no campo do medicamento e em contraposição à da Lei 13.021 citada acima, é conduzido por um dos artífices do golpe, o senador Romero Jucá, que através do PLS 284/2015 quer liberar a venda de medicamentos em supermercados.

        O principal operador político do golpe em curso contra a democracia, a saúde e outros direitos conquistados é o presidente da Câmara. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teve entre seus maiores financiadores de campanha empresas ligadas à saúde privada, como operadoras de planos de saúde privados. Não à toa, é o autor do Projeto de Emenda Constitucional 451/2014 Cunha que altera o art. 7º da Constituição, inserindo novo inciso, o XXXV, o qual obriga todos os empregadores brasileiros a garantirem aos seus empregados serviços de assistência à saúde, excetuados os trabalhadores domésticos, afrontando todo o capítulo da seguridade social e a seção da saúde e seus dispositivos. É o desmonte do SUS.

        Tais propostas seguem ao lado de outras iniciativas que reduzem recursos para a Saúde e atacam programas. Um dos primeiros a ser desmontado, certamente será o Mais Médicos, como ficou claro pelas declarações dos parlamentares

        Esse conjunto de iniciativas e propostas viola o direito à saúde conquistado na Constituição, ao dizer ser direito fundamental do trabalhador a assistência à saúde. Secciona o SUS que tem como diretriz constitucional a integralidade da atenção à saúde, ao fracionar a assistência à saúde, os seus usuários e o devedor da garantia do direito à saúde que deixa parcialmente de ser o Estado.

        Outrossim, converte um direito a um serviço – pior até, converte à uma mercadoria –, fazendo virar a roda da história brasileira para trás, nos levando de volta a momentos em que a luta era para firmar a consigna de que Democracia é Saúde, como postulado na década de 80 pelos movimentos que lutaram em defesa da Reforma Sanitária.

        Em momentos delicados como estes que estamos vivendo, onde o que está em jogo é a própria democracia, é indispensável reafirmar a soberania da vontade popular exercida pelo voto e alimentada pelos vários instrumentos de participação social. Na Saúde, além das conquistas já apontadas, logramos também construir um modelo de referência para a participação social, que são os Conselhos de Saúde. Mas estas conquistas hoje estão em xeque, uma vez que a democracia e o direito à saúde estão ameaçados.

        Sem que haja políticas públicas para reduzir desigualdades econômicas, sociais e culturais acumuladas historicamente o exercício da democracia fica comprometido. Por isso, no curso de um golpe e na eminência da ascensão de um governo ilegítimo, a luta prioritária do movimento social brasileiro é a luta em defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito, que se materializam na defesa do direito à Saúde, pautas que unificam a sociedade e permitem ampla mobilização social.

Não vai ter golpe! Democracia é Saúde!

 

* Ronald Ferreira dos Santos é farmacêutico, presidente do Conselho Nacional de Saúde e presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos.

Deputados na frente na mesa diretora da Câmara dos Deputados e Eduardo Cunha comandando

NEOSTALINISMO NA AGÊNCIA CÂMARA

manifestantes em Brasília em frente ao Congresso Nacional, acompanhando a votação de impedimento da presidenta Dilma. Um sol muito azul e as nuvens escuras em cima do prédio do senado federal

Por Leandro Fortes

No dia seguinte à pantagruélica votação da admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, uma reportagem feita pela Agência Câmara, em 7 de outubro de 2014, começou a circular freneticamente pelas redes sociais.

Assinada pela repórter Lara Hage, a matéria tinha o seguinte título:

“Apenas 36 deputados se elegeram com seus próprios votos”

Era, portanto, o argumento lógico e matemático a explicar o circo de horrores onde se revezaram aquelas caricaturas políticas que, entre surtos de fanatismo religioso e espasmos de cretinice, fizeram do Brasil uma triste piada internacional.

A abertura da matéria, disseminada por milhares de perfis, sites e blogs internet afora, era assim:

“Apenas 36 dos 513 deputados federais que vão compor a Câmara na próxima legislatura (2015-2018) alcançaram o quociente eleitoral com seus próprios votos. Desses, 11 são parentes de políticos tradicionais em seus estados. Os outros 477 eleitos foram “puxados” por votos dados à legenda ou a outros candidatos de seu partido ou coligação. O número é o mesmo de 2010, quando também houve apenas 36 deputados eleitos com votação própria”.

Não demorou muito para a turma do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) perceber o estrago extra provocado pela matéria na já combalida imagem da votação do impeachment – rapidamente traduzida como “golpe” pela imprensa estrangeira.

Na terça-feira, 19 de abril, portanto, dois dias depois da votação, a direção da Agência Câmara aventurou-se no inimaginável: adulterou o título e o texto da matéria para tentar estancar a disseminação da informação original nas redes sociais.

Como na fase mais aguda do regime de Josef Stálin, a Agência Câmara decidiu dar sumiço em uma informação depois de ela ter se tornado inconveniente, da mesma maneira que o antigo líder soviético fazia com dissidentes em fotos oficiais.

O nome da autora da matéria, aliás, também foi apagado do texto.

Assim, o título “Apenas 36 deputados se elegeram com seus próprios votos” transformou-se na seguinte pérola:

“Eleição para a Câmara dos Deputados segue o modelo proporcional previsto na Constituição”.

Mas o ridículo não para por aí.

A informação sobre os 36 deputados eleitos desapareceu completamente do texto que, para a incredulidade geral, foi editado como se o responsável pelo arranjo ainda estivesse em 2014!

A abertura da matéria, depois de editada, virou essa maravilha da subliteratura parlamentar:

“Os deputados federais que vão compor a Câmara na legislatura de 2015 a 2019 foram eleitos pelo sistema proporcional previsto na Constituição brasileira. Nas eleições proporcionais, primeiramente verifica-se quais foram as coligações partidárias que receberam mais votos: o total de cadeiras na Câmara – 513 – é, então, dividido proporcionalmente entre essas coligações. As vagas de cada coligação são distribuídas para os candidatos mais bem votados dentro de cada uma delas. E todos os 513 deputados eleitos têm a mesma legitimidade em seus mandatos”.

Um primor de texto. Jornalismo em estado puro!

 

Incrivelmente, foi mantida a data da matéria – 7 de outubro de 2014 – para que o texto original jamais pudesse ser acessado outra vez pelos arquivos da Agência Câmara. Esse tipo de artimanha na internet, no entanto, exige um nível de profissionalismo que, certamente, o adulterador sob o comando de Cunha não tem.

Isso porque o texto foi alterado, mas a URL (no caso, o endereço de hospedagem na internet) não tem como ser mexido. Assim, adivinhem onde aparece o título que os sábios da Agência Câmara tentaram esconder?

Aqui, ó:

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/475535-APENAS-36-DEPUTADOS-SE-ELEGERAM-COM-SEUS-PROPRIOS-VOTOS.html

 

Mas, calma, não acabou ainda.

 

Além de adulterar o texto da matéria, a turma de Cunha também suprimiu da publicação original um quadro pelo qual era possível ao leitor localizar os nomes dos 36 deputados eleitos.

O link, no entanto, pode ser recuperado aqui:

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/imagens/imgNoticiaUpload1412701605642.jpg

A justificativa da direção da Agência Câmara para a adulteração da reportagem, um ano e meio depois de o texto ter sido publicado no site oficial da Câmara dos Deputados, é o retrato definitivo da desonestidade intelectual aplicada ao jornalismo.

Segundo o desconhecido editor da obra-prima, a matéria foi atualizada “para garantir uma explicação correta do funcionamento do sistema de eleição proporcional no Brasil”.

Isso porque “ao contrário do que dizia o texto anterior, não foi apenas um determinado número de deputados que se elegeu com os seus próprios votos. Todos os deputados são eleitos com os seus próprios votos dentro das regras do sistema proporcional. Portanto, todos os deputados têm a mesma legitimidade nos seus mandatos”.

Esqueçam o cinismo.

 

Concentrem-se na curiosidade de a direção da Agência Câmara só ter se dado conta da sagrada legitimidade de todos os deputados com 18 meses de atraso – e justamente depois daquela tertúlia verde e amarela que pode, vejam vocês, resultar na anistia de Eduardo Cunha, esse probo parlamentar acusado de manter contas na Suíça para receber propinas parceladas.

A propósito, o editor-chefe da Agência Câmara, acreditem, é um jornalista e se chama João Pitella Junior.

 

QUEM NASCE NO BERÇO DO CRIME SEMPRE SERÁ TRAIDOR

 

 

 

Quem se assusta com a traição do ex-ministro das cidades e líder do PP, não sabe que ele nasceu no berço do crime,  e sempre será um traidor.

Agnaldo Ribeiro abraça a presidenta Dilma quando era ministro, a solenidade é no Palácio. Hoje o ex-ministro Agnaldo é adversário da democracia e votou contra Dilma. Na foto ele demonstra simpatia e Dilma sorridente.

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de posse do Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. (Brasília – DF, 06/02/2012)

Usineiro de nascimento, e neto do mandante do crime de MARGARIDA MARIA ALVES, Agnaldo Ribeiro é membro da mais famigerada organização de latifundiários da Paraíba, o denominado “Grupo da Várzea” – uma espécie de UDR nordestina.

O CRIME E O BERÇO DA TRAIÇÃO

O principal acusado do assassinato de Margarida é Agnaldo Veloso Borges, então proprietário da usina de açúcar local, a Usina Tanques, e seu genro, José Buarque de Gusmão Neto, mais conhecido como Zito Buarque. Seu sogro era o líder do Chamado Grupo da Várzea, composto   por 60 fazendeiros, três deputados e 50 prefeitos.  O crime ocorreu no dia 12 de agosto de 1983, quando um pistoleiro de aluguel, num Opala vermelho, disparou um tiro de escopeta calibre 12 em seu rosto, quando ela estava na frente de sua casa. Seu filho e seu marido viram tudo. Foram acusados pelo crime o soldado da PM Betâneo Carneiro dos Santos, os irmãos pistoleiros Amauri José do Rego e Amaro José do Rego e Biu Genésio, motorista do Opala. Mais tarde, ele foi assassinado, como “queima de arquivo”.

Margarida Maria Alves na foto mais tradicional, ela de cabelos presos e vestido quadriculado.

Por isso, não deveríamos esperar um voto pela democracia de um membro de organização uma criminosa tão cruel e fascista!

 

 

Saiba mais

http://www.fundacaomargaridaalves.org.br/homenagens/

Grupo de jovens índios da tribo pataxó, eles estão sem camisas e com adereços como cocás e colares, depois que participaram de um ritual na Aldeia Velha em Porto Seguro-BA

SOMOS TODOS INDÍGENAS

Hoje, 19 DE ABRIL,  Dia do Índio, a Survival International lançou uma campanha para impedir a destruição de povos indígenas no Brasil, coincidindo com os Jogos Olímpicos de 2016.

A campanha visa chamar a atenção para as graves ameaças e violações de direitos humanos enfrentadas pelos povos indígenas do país. Essas ameaças continuam independentemente da instabilidade política no Brasil.

A campanha, ‘Pare o genocídio no Brasil’ foca na proteção de povos isolados da Amazônia como os Kawahiva, no fim da violência e roubo de terra dos Guarani no centro-oeste do Brasil, e no fim da PEC 215, uma proposta de emenda constitucional que seriamente enfraqueceria os direitos territoriais indígenas, significando um desastre para tribos ao redor do país.

Há décadas, a Survival tem feito campanhas pela proteção de tribos isoladas – as quais, estima-se que sejam mais de 100 no Brasil. Elas são os povos mais vulneráveis do planeta. Povos como os Kawahiva estão sendo exterminados com a violência de invasores que roubam suas terras e recursos, e com doenças como gripe e sarampo, para as quais eles não têm resistência imunológica.

No centro-oeste do Brasil, fazendeiros devastaram o território dos Guarani, e quase toda a sua terra foi roubada. Crianças Guarani passam fome e seus líderes estão sendo mortos, um a um, por pistoleiros contratados por fazendeiros. Centenas de homens, mulheres e crianças Guarani cometeram suicídio.

O diretor da Survival, Stephen Corry, afirmou: “Povos indígenas têm sido gradualmente aniquilados, por séculos, ao redor das Américas. Isso tem que acabar. Ao invés de ver as tribos como obstáculos inconvenientes ao “progresso”, o Brasil deve reconhecer que elas são uma parte intrínseca de sua nação moderna, e merecem ter seus direitos territoriais protegidos para que elas possam sobreviver e prosperar. Independentemente da crise política, esses são assuntos cruciais que devem ser levados a sério. Todos os olhos estão voltados para o Brasil, que se prepara para sediar as Olimpíadas, e está nas mãos dos brasileiros assegurar que a história olhe favoravelmente para sua geração”.

Com informações do CIMI.Indígena criança do povo xavante, brincando com um cordão e sorrindo. A criança tem adereços no braço e mostra os dentes que apresenta cáries.

 

MAIS INFORMAÇÕES – http://www.survivalinternational.org/pt

 

DILMA

77% das menções nas Redes Sociais são favoráveis a Dilma

Estudo do Sprinklr mostra dados do #ImpeachmentDay

O processo de Impeachment foi destaque nacional e internacional nas redes sociais no dia 17 de abril, o estudo do SPRINKLR mostra que 77% das menções foram favoráveis ao governo. Denominado de #ImpeachmentDay colocou o assunto no Trending Topics mundiais, aparece em 1º lugar. A #NaoVaiTerGolpe foi o destaque e os homens foram mais engajados na mobilização virtual que as mulheres. Confira os dados no estudo da SPRINKLR:

 

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Já está tendo luta!

Mulher na manifestação em Brasília, óculos escuros, blusa branca, fita vermelha na cabeça e com o braço levantado significando luta

 

 

Por trás de gravatas, de faixas verde-amarelas e de gritos ao microfone, exibiu-se ontem, em rede nacional e internacional, o colonialismo à brasileira. Trata-se de um colonialismo insidioso que se camufla em menções à família e à religião e que recorre a bandeiras de fácil aceitação, como o combate à corrupção – sem demonstrar um pingo de constrangimento com a presença ativa de corruptos contumazes na própria Mesa Diretora da farsa.

Assim como o racismo e o machismo ‘naturalizados’, esse colonialismo velado reproduz uma ordem (fundada não apenas na divisão de classes, mas também em diversos modos de viver, em sentido amplo) “daqueles que têm o direito adquirido de mandar e de quem a só cabe obedecer”. Influencia, desse modo, as relações de poder na nossa sociedade, ao longo de séculos. Perigosamente, faz valer princípios de interesse próprio para se impor a pactos sociais fundantes que afetam a todxs.

Esse mesmo colonialismo, que anda de mão dadas com o capitalismo e com o patriarcado, tem sido bravamente enfrentado pelo protagonismo de pessoas, grupos, comunidades, organizações e redes (muitas delas censuradas e violentamente reprimidas) dedicadas a desmascará-lo e a desconstruí-lo, sem tréguas e/ou subterfúgios. Enquanto essa estrutura de ‘injustiça cognitiva’ não for profundamente abalada, a partir das lutas concretas e históricas de quem se ergue para contestar as hierarquias coloniais que pairam sobre a acanhada democracia liberal-representativa, grandes encenações como essa, por mais bizarras que sejam, tenderão a se repetir outras e mais vezes.

Maurício Hashizume,jornalista, mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando em Pós-Colonialismos no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC), Portugal.

‪#‎JáEstáTendoLuta

 

EU ACREDITO QUE O MUNDO SERÁ MELHOR…

manifestantes em Brasília em frente ao Congresso Nacional, acompanhando a votação de impedimento da presidenta Dilma. Um sol muito azul e as nuvens escuras em cima do prédio do senado federal“Eu acredito que o mundo será melhor, quando o menor que padece acreditar no menor…”

Quero lutar, não quero chorar! Assim começa uma semana de luta e decepção com o parlamento brasileiro. Quando a Câmara dos Deputados admite o processo contra a presidenta Dilma Rousseff, na verdade é um gesto de surrupiar as conquistas do povo brasileiro.

Acompanhei e lutei juntamente com milhares de brasileiros a votação em Brasília. Senti e sofri como todos, vendo o poder do povo sendo subtraído. O que mais me incomoda nesse momento, é observar a aliança falsa criada entre parte dos oprimidos com os opressores; quando vejo gente do bem apoiando ações e posições dos extremistas do congresso, tipo Bolsonaro.

Não vou chorar, vou lutar, porque o processo ainda não foi concluído e o governo precisa governar para todos e todas. É preciso serenidade para conviver com os adversários, mesmo que eles usem “armas” desiguais, mesmo que a todos momentos estejamos dormindo com os inimigos, poderemos vender e mantermos os nossos direitos de viver em paz e com justiça social.

 

 

 

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