Já está tendo luta!

Mulher na manifestação em Brasília, óculos escuros, blusa branca, fita vermelha na cabeça e com o braço levantado significando luta

 

 

Por trás de gravatas, de faixas verde-amarelas e de gritos ao microfone, exibiu-se ontem, em rede nacional e internacional, o colonialismo à brasileira. Trata-se de um colonialismo insidioso que se camufla em menções à família e à religião e que recorre a bandeiras de fácil aceitação, como o combate à corrupção – sem demonstrar um pingo de constrangimento com a presença ativa de corruptos contumazes na própria Mesa Diretora da farsa.

Assim como o racismo e o machismo ‘naturalizados’, esse colonialismo velado reproduz uma ordem (fundada não apenas na divisão de classes, mas também em diversos modos de viver, em sentido amplo) “daqueles que têm o direito adquirido de mandar e de quem a só cabe obedecer”. Influencia, desse modo, as relações de poder na nossa sociedade, ao longo de séculos. Perigosamente, faz valer princípios de interesse próprio para se impor a pactos sociais fundantes que afetam a todxs.

Esse mesmo colonialismo, que anda de mão dadas com o capitalismo e com o patriarcado, tem sido bravamente enfrentado pelo protagonismo de pessoas, grupos, comunidades, organizações e redes (muitas delas censuradas e violentamente reprimidas) dedicadas a desmascará-lo e a desconstruí-lo, sem tréguas e/ou subterfúgios. Enquanto essa estrutura de ‘injustiça cognitiva’ não for profundamente abalada, a partir das lutas concretas e históricas de quem se ergue para contestar as hierarquias coloniais que pairam sobre a acanhada democracia liberal-representativa, grandes encenações como essa, por mais bizarras que sejam, tenderão a se repetir outras e mais vezes.

Maurício Hashizume,jornalista, mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando em Pós-Colonialismos no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC), Portugal.

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2 comments

  • Geraldo

    É isso mesmo, o ranço colonialista näo deixa o Brasil avançar.

  • Sandro Tavares Silva

    Penso que esse processo tem dois aspectos a serem considerados: um bom e um ruim.

    É ruim, uma vez que fortalece esses bandidos que tomaram o congresso nacional de assalto, por meio do voto (certamente comprado) daqueles que não sabem o que fazem. Esse pessoal mais forte fica mais protegido e será difícil os braços da justiça os alcançar.

    É bom, uma vez que livra o PT, principal sustentáculo da esquerda, do desaparecimento certo. Prevejo dias piores (muito piores) até 2018 e quem estiver no poder será cobrado por isso. O PT terá, então, a grande oportunidade de se reciclar e de voltar à cena política com algum protagonismo.

    Não sou PTista. Penso apenas que o equilíbrio de forças entre a direita e esquerda são saudáveis a qualquer país.

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