06/05/2021
Início Posts Política NELSON TEICH COMEÇOU MAL

NELSON TEICH COMEÇOU MAL

Promessas vazias ao estilo do chefe
 

Começou mal o novo ministro da Saúde, Nelson Teich. O oncologista, que fundou um grupo particular de tratamento de câncer e mais recentemente se tornou consultor em Saúde, fez reverência à ciência, mas não se envergonhou de prometer coisas inexistentes. Pela ordem, medicamentos, vacinas e testes – esses apresentados como a solução para acabar com a quarentena, como quer Bolsonaro, mas com um problema um tanto óbvio para qualquer um que acompanhe a cobertura da imprensa e/ou as coletivas até então vespertinas do Ministério da Saúde: não há testes disponíveis no país nem para os que estão doentes, e os profissionais de saúde e de segurança ainda aguardam os prometidos pelo governo federal.

Não há nem reagentes para comprar e fazer os testes no Brasil, como disse em entrevista à Pública a lúcida e didática microbiologista Natália Pasternak, que como a maior parte da comunidade científica, vem insistindo que o isolamento social é a única forma de reduzir as mortes e o impacto da epidemia no sistema de saúde. “Se relaxar, vai ficar um monte de gente doente ao mesmo tempo e vai morrer um monte de gente por falta de atendimento. A alternativa ao isolamento é morrer muito mais gente, não tem outra”, explicou. 

A dra. Pasternak também é uma crítica ferrenha da liberação do uso da cloroquina e hidroxicloroquina, especialmente quando combinada à azitromicina, combinação que comprovadamente provoca arritmia cardíacas graves, que podem levar à morte do paciente. E deixa claro: não há nenhum medicamento com evidências científicas robustas e segurança garantida para combater o coronavírus. Vacina, então, nem pensar antes de pelo menos dois anos, tempo já exíguo para fazer todos os testes necessários para uma substância que vai ser aplicada em bilhões de pessoas. 

Curiosamente, o ministro Henrique Mandetta se despediu dos funcionários do ministério com a mesma frase dita por Fernando Haddad quando perdeu as eleições presidenciais: “Não tenham medo”. Um conselho não muito alentador para a população que continua sob o comando de Jair Bolsonaro, que pareceu titubeante e pálido no pronunciamento que fez após a demissão de Mandetta.

Nesse vale tudo, não há como ter esperanças em um ministro que se disse “completamente alinhado ao presidente” e se comprometeu, sabe-se lá como, a uma flexibilização “inteligente” do isolamento social. Transparência realmente não será o forte do substituto na condução do combate ao coronavírus, o que só agrava o combate à pandemia da qual o mundo sabe pouco e, nós brasileiros, ignoramos até os os números reais de seu impacto por aqui.

Marina Amaral, codiretora da Agência Pública

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

“NA GAVETA” comenta a taça mais cobiçada do mundo

  ESPORTES: Na GAVETA   – Hoje, 05 de Maio, 13h , na RÁDIO QUINTAL e nas principais plataformas de áudio. No terceiro episódio de “NA GAVETA”,...

“Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma” (Fernando Pessoa)

        Trecho de Fernando Pessoa, escrito no chão do museu interativo da Língua Portuguesa na Estação da Luz, encanta jovens e...

VISÃO DE MUNDO com 5 assuntos no PODCAST

VISÃO DE MUNDO O seu programa quinzenal de notícias internacionais, o Visão do Mundo, terá seu terceiro episódio lançado hoje (03/05) às 10h da manhã....

Animais no convívio humano da infância a velhice, é tema de Podcast

  O 80BPM é parte do projeto "CÁSPER NO QUINTAL", confira:   O terceiro episódio do Podcast 80BPM chegará às principais plataformas de áudio nesta quarta-feira (05),...